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Aprendizagem baseada em times

Team-based Learning(TBL)

Um pouco sobre TBL

Aprendizagem baseada em times – Team-Based Learning (TBL), consiste em uma estratégia instrucional desenvolvida na década de 70 pelo professor da Universidade de Oklahoma Larry Michaelsen. TBL procura criar oportunidades e obter os benefícios do trabalho em equipe, através da utilização de pequenos grupos de aprendizagem.

Essa abordagem é direcionada para turmas com muitos alunos, o que possibilita formar equipes que tenham entre 5 e 7 equipes (a média ideal de quantidade de pesssoas por equipe para que a metodologia seja aplicada de forma eficaz). As equipes formadas deverão trabalhar dentro do mesmo espaço físico (sala de aula, na maioria das vezes). Existem casos de aplicação da metodologia em turmas de mais de 100 estudantes, como também para turmas menores, de 25 estudantes.

Uma das características mais importantes do TBL é o fato de que os alunos envolvidos nos grupos são à se prepararem previamente para as aulas, uma vez que podem ser lançados desafios para os grupos antes, durante ou após as aulas. Além disso, é importante ressaltar que não há necessidade de que os estudantes possuam conhecimento prévio sobre trabalho em equipe, uma vez que estes serão submetidos à atividades que farão com que eles desenvolvam essas habilidades de forma intrínseca.

A fundamentação teórica do TBL é baseada no construtivismo, fazendo com que o professor não seja uma figura autoritária, passando a ser um facilitador da aprendizagem dos estudantes envolvidos, em um ambiente igualitário.

Aplicando os conceitos

O passo inicial na implantação dessa estratégia é formar as equipes, os grupos variam de 5 a 7 estudantes. Os grupos devem ser formados de modo a permitir que realizem a tarefa atribuída buscando minimizar as barreiras à coesão do grupo incluindo diversidade na sua composição e oferecendo os recursos necessários. Para que se tenha uma boa coesão deve-se evitar formar grupos com componentes que tenham vínculos afetivos (irmãos, namorados, amigos muito próximos) e formar grupos mesclados de forma aleatória e equilibrada buscando a maior diversidade de alunos, a tarefa de formar os grupos deve ser dos professores, e nunca dos alunos, para que a estratégia dê certo.

As oportunidades para o estudante de adquirir e aplicar conhecimento criadas pela metodologia são criadas a partir de uma sequência de atividades que incluem etapas prévias ao encontro com o professor e as etapas que terão acompanhamento do mesmo. O TBL é composto por três etapas, são elas:
  • Preparação individual (pré-classe)
    • Os alunos possuem a responsabilidade de se prepararem previamente para o trabalho em grupo durante as aulas, através da realização de determinadas tarefas. É importante ressaltar que a não realização dessas atividades pode acarretar em atraso e perca de eficiência no desenvolvimento do trabalho em grupo, uma vez que este é dependente dele.
  • Garantia de Preparo
    • Nessa etapa é realizado uma espécie de teste que tem como objetivo assegurar e garantir que o aluno realizou a preparação individual de forma satisfatória. Ela consiste de um teste respondido sem consulta, contemplando os principais conceitos abordados na preparação prévia.
  • Aplicação dos conceitos
    • É o momento onde o professor deve lançar desafios e problemas que mais se aproximem da realidade no mercado e no ambiente de trabalho, através de questões apresentadas na forma de cenários/problemas relevantes e presentes na prática profissional. Essa etapa deve ser estruturada seguindo os 4S’s, expressão em inglês utilizada para representar quatro princípios básicos:
      • Problema significativo (Significant);
      • Mesmo Problema (Same);
      • Escolha específica (Specific);
      • Relatos simultâneos (Simultaneous report);

Os alunos são avaliados pelo seu desempenho individual e também pelo resultado do trabalho em grupo, além de se submeterem à avaliação entre os pares, o que incrementa a responsabilização. Os membros têm a oportunidade de avaliar as contribuições individuais para o desempenho da equipe. A avaliação pelos pares é essencial, pois os componentes da equipe são, normalmente, os únicos que têm informações suficientes para avaliar com precisão a contribuição do outro.  É uma característica importante do TBL, pode assumir caráter formativo e/ou somativo e reforça a construção da aprendizagem, além da responsabilização individual.

Exemplos

1. Disciplina interdisciplinar na UFRN

Em 2016, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) ,  a disciplina de Projeto de Inovação Tecnológica aplicou os conceitos do TBL. Tal disciplina era formada por discentes e docentes oriundos de diferentes cursos e áreas presentes na UFRN.

Áreas como design, artes, administração e tecnologia da informação foram contempladas com a disciplina, que tinha como principal proposta promover a interdisciplinaridade através da criação de uma startup durante todo o semestre, findando na apresentação de um Mínimo Produto Viável (MVP) da solução proposta pelo grupo.

Os grupos eram compostos por 5 alunos que, obrigatoriamente, não poderiam ser, majoritariamente, do mesmo curso. Dessa forma, os grupos trabalharam, durante todo o semestre, em uma solução para problemas propostos pelos próprios alunos.

A proposta de interdisciplinaridade e breve preparação para um real ambiente de trabalho (trabalhar com pessoas desconhecidas e de diversas áreas) foi bem atendida ao desafiar os grupos a desenvolverem projetos tecnológicos e inovadores levando em consideração diferentes áreas: administração, tecnologia da informação e design.

Ao término da disciplina, foi realizado um DemoDay, um momento onde todas as soluções rápidas foram apresentadas para uma banca externa, formada por empresários da comunidade startup, na forma de pitch (apresentação de 5 minutos para convencer alguém a comprar o seu produto ou serviço).

2. Aula de metodologias ativas utilizando o conceito de TBL na Faculdade de Rondônia (FARO)

Nesse caso, o conceito de TBL foi utilizado em uma aula ministrada pelo Professor Anderson Furtado, na disciplina de metalografia. A metodologia foi aplicada em dois diferentes momentos: o primeiro, onde cada aluno deveria responder questões individualmente e o segundo, onde foram definidos grupos para discutir sobre as respostas de cada aluno do grupo, afim de chegar a conclusão sobre qual seria a alternativa correta. Fato curioso é que as questões utilizadas pelo professor eram de concursos, e os alunos não sabiam. Ao término da atividade o professor revelou a origem das questões, despertando nos mesmos o sentimento de confiança.

Conclusão

O TBL é uma estratégia pedagógica embasada em princípios centrais da aprendizagem de adultos, com valorização da responsabilidade individual dos estudantes perante as suas equipes de trabalho e também com um componente motivacional para o estudo que é a aplicação dos conhecimentos adquiridos na solução de questões relevantes no contexto da prática profissional.

Referências

http://revista.fmrp.usp.br/2014/vol47n3/7_Aprendizagem-baseada-em-equipes-da-teoria-a-pratica.pdf